Júri reconheceu que o ataque foi planejado após discussão sobre problemas na rede elétrica; condenado deve cumprir pena imediatamente


Um homem foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão por tentar matar a facadas um vizinho em Viana, cidade a 217 km de São Luís. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na quarta-feira (19), durante sessão realizada na 1ª Vara da comarca.

Como aconteceu o crime

De acordo com as investigações, a vítima, Jorge Milton Trindade Costa, estava sentada em sua moto, de costas para a casa do acusado, Pablo Adriano Galvão Mendes, quando foi surpreendida pelo ataque.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Pablo teria se aproximado por trás e desferido três golpes de faca contra Jorge, atingindo o ombro esquerdo, o lado direito do rosto e as costas da vítima.

"Pablo, o que eu te fiz?"

Um dos detalhes mais marcantes do caso, presente na denúncia, é o diálogo registrado durante o ataque. Enquanto era golpeado, Jorge teria perguntado ao agressor: "Pablo, o que eu te fiz?". Em resposta, o acusado teria dito: "Eu vou te matar!".

O ataque só foi interrompido porque, atraídas pelos gritos da vítima, algumas pessoas chegaram ao local e impediram que Pablo continuasse os golpes. Ferido e ensanguentado, Jorge saiu correndo e foi levado ao hospital por um vizinho.

Discussão sobre rede elétrica motivou o crime

As investigações apontaram a origem do conflito entre os dois homens: uma reclamação de Jorge sobre a conduta de Pablo de jogar um cabo de ferro na rede elétrica, o que estaria provocando curtos-circuitos na região.

O que começou como um desentendimento sobre um problema doméstico teria motivado o acusado a planejar o ataque. Durante o interrogatório, Pablo confessou que já tinha a intenção de matar a vítima e que aproveitou o momento em que Jorge realizava um serviço na rua para colocar o plano em prática — usando, segundo seu próprio relato, uma faca de cozinha.

Prisão em flagrante na casa da avó do acusado

Após o ataque, a Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) foi acionada e iniciou as diligências para localizar o suspeito. A guarnição encontrou Pablo Adriano na residência de sua avó, onde a prisão em flagrante foi realizada.

O julgamento e a condenação

Durante a sessão do Tribunal do Júri, o Conselho de Sentença analisou as provas e os depoimentos apresentados no processo. Ao final, os jurados:

  1. Reconheceram a materialidade e a autoria do crime
  2. Rejeitaram a tese de desclassificação apresentada pela defesa
  3. Não absolveram o acusado
  4. Reconheceram a existência das qualificadoras do crime

Com base na decisão do júri, o juiz responsável fixou a pena definitiva em 12 anos e seis meses de reclusão.

Condenado não poderá recorrer em liberdade

Além de definir a pena, o magistrado negou o direito de recorrer em liberdade ao condenado e determinou o recolhimento imediato ao sistema prisional para início do cumprimento da pena — decisão amparada pelo entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que permite a execução da pena logo após a condenação em Tribunal do Júri, independentemente de eventuais recursos.

Um alerta sobre conflitos de vizinhança

O caso reforça um ponto que merece atenção: desentendimentos aparentemente simples entre vizinhos, quando não resolvidos de forma pacífica, podem escalar para situações extremas. A Justiça tem tratado com rigor os crimes motivados por esse tipo de conflito, especialmente quando há indícios de premeditação, como reconhecido pelo júri neste caso.

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