Esquema prometia rendimentos de até 10% ao mês por meio de falsas aplicações financeiras; empresa de fachada movimentou mais de R$ 440 milhões em dois anos e meio

Foto: divulgação / PC-MA

A Polícia Civil do Maranhão prendeu dois homens durante a Operação Extrema Confiança, deflagrada na segunda-feira (22) para desarticular um esquema de fraude financeira que lesou mais de 300 investidores nos estados do Maranhão e do Piauí. A ação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa especializada no chamado golpe da Bolsa de Valores.

Um dos suspeitos, de 40 anos, foi preso em Timon. O segundo, de 28 anos, foi capturado em São Luís. A operação foi conduzida em apoio à Polícia Civil do Piauí, que lidera a investigação principal do caso.

Como o esquema funcionava

Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos do Maranhão, os suspeitos atraíam investidores com a promessa de ganhos mensais de até 10% sobre os valores aplicados, com suposta atuação na Bolsa de Valores do Brasil, a B3. O percentual é muito superior ao praticado pelo mercado financeiro tradicional.

A polícia identificou o esquema como uma fraude do tipo Ponzi, modelo em que os rendimentos pagos aos primeiros investidores não provêm de aplicações reais, mas do dinheiro captado de novas vítimas.

Empresa de fachada dava aparência de legalidade

Para transmitir credibilidade, os investigados criaram a empresa XTREME TRADE, registrada na Junta Comercial do Piauí. A estrutura era usada para convencer investidores de que os recursos estavam sendo aplicados no mercado financeiro, incentivando novos aportes e ampliando o alcance do golpe.

De acordo com as investigações, a XTREME TRADE e seu sócio-administrador movimentaram mais de R$ 440 milhões ao longo de aproximadamente dois anos e meio, considerando operações de crédito e débito. Os valores chamaram a atenção das autoridades e reforçaram a suspeita sobre a capacidade de captação do grupo.

Alvos da operação 'Extrema Confiança' presos em Teresina (PI) e São Luís (MA). (Foto: Divulgação/PC-PI)

Mais de 300 vítimas

A estimativa dos investigadores é de que mais de 300 pessoas tenham sido lesadas pelo esquema. A maior parte dos prejuízos foi registrada no Piauí e no Maranhão, estados onde a organização concentrou suas atividades.

Investigação em andamento

A Operação Extrema Confiança segue em curso. As autoridades trabalham para identificar outros possíveis integrantes da organização, dimensionar o total de prejuízos causados às vítimas e rastrear a destinação dos recursos movimentados pelo grupo.

Fonte: Polícia Civil do Maranhão
Redação | Central Mearim