Acusada de matar duas crianças com ovo de Páscoa envenenado no MA terá julgamento marcado para 22 de junho

Jordélia Pereira Barbosa está presa desde abril de 2025; mãe das vítimas diz que aguarda sentença para sentir que a justiça foi feita.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mais de um ano após a morte dos irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13, em Imperatriz, o caso que chocou o Maranhão e repercutiu em todo o Brasil finalmente tem data para julgamento. Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa e enviar para a família, será levada a júri popular no dia 22 de junho.

A informação é do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) em Imperatriz. Jordélia está presa desde 17 de abril de 2025, quando foi detida em São Luís. Além das duas mortes, ela também é acusada de tentativa de homicídio contra Mirian Lira, mãe das crianças, que consumiu o doce e sobreviveu.

Por que demorou tanto para chegar ao julgamento?

O TJ-MA aceitou a denúncia e, em setembro de 2025, determinou que o caso fosse a júri popular. A defesa, no entanto, recorreu da decisão — e foi esse recurso que travou o julgamento por meses.

Entre os pedidos da defesa estão a anulação da decisão, a retirada do caso do júri ou a mudança na classificação do crime. O processo ainda está em análise no Tribunal de Justiça e tramita sob segredo de Justiça.

"A sensação de justiça vem com a sentença"

Sobrevivente do envenenamento, Mirian Lira falou sobre a espera pelo julgamento. Para ela, a investigação foi ágil — a prisão aconteceu poucos dias após o crime —, mas a sensação de que a justiça foi feita ainda não chegou.

"A investigação foi muito rápida, foi competente. Agora, a gente só está aguardando mesmo. Porque, de ter ela já presa, é um alívio, mas o sentimento de que a justiça seja feita é quando vier o julgamento, que vier a sentença realmente", disse Mirian.

Quem é Jordélia Pereira Barbosa?

Com 36 anos, Jordélia é moradora do Centro de Santa Inês, no Vale do Pindaré. Conhecida no ramo da beleza, ela mantinha um estúdio de estética em casa, atuava como esteticista facial e corporal, era embaixadora de uma linha de cosméticos e instrutora em um curso profissionalizante desde 2019. Nas redes sociais, acumulava mais de 12,5 mil seguidores e publicava conteúdos sobre o trabalho e mensagens de superação.

Para os vizinhos, era descrita como trabalhadora e de boa índole. "Era uma pessoa muito boa, simpática, falava com todo mundo", disse um vizinho que preferiu não se identificar. Já uma colega de trabalho contou ter tido desentendimentos com ela: "Ela fez o mal pra mim, ela era uma pessoa muito mal."

Com a prisão, Jordélia perdeu provisoriamente a guarda dos dois filhos, que ficaram com o pai — seu ex-marido, que é também o atual namorado de Mirian Lira.

O que motivou o crime?

As investigações da Polícia Civil concluíram que ciúme e vingança teriam levado Jordélia a envenenar o ovo de Páscoa. Mirian Lira namorava há três meses o ex-marido de Jordélia, e esse relacionamento teria sido o estopim.

Em depoimento na Delegacia Regional de Santa Inês, Jordélia admitiu ter comprado o chocolate e enviado para Mirian, mas negou ter colocado veneno. As provas, porém, contaram outra história.

Imagens de câmeras de segurança, comprovantes de compra, depoimentos e laudos periciais apontaram para ela. Quando foi presa, a polícia encontrou em seu poder duas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus. O laudo do Instituto de Criminalística confirmou a presença do veneno no ovo, nos corpos das vítimas e no material recolhido com a acusada.

Com base nas provas, Jordélia foi indiciada por duplo homicídio e tentativa de homicídio por envenenamento.

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