Inteligência Artificial: O Desafio Crescente da Desinformação nas Eleições e a Estratégia do TSE
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| Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Com a proximidade do pleito eleitoral, o uso da inteligência artificial (IA) emerge como um ponto central de preocupação para a integridade do processo democrático. Especialistas alertam que a disseminação de notícias falsas, amplificada pelas ferramentas de IA, pode alcançar níveis críticos, especialmente em um cenário de alta polarização política e limitado letramento digital. A atenção recai sobre a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a nova presidência do ministro Nunes Marques, que assume a tarefa de navegar por esse complexo ambiente digital.
Inteligência Artificial e o Desafio da Desinformação
A capacidade da IA de gerar e proliferar conteúdo, incluindo desinformação, representa uma ameaça significativa para a equidade das campanhas. O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, compara a dinâmica entre a Justiça Eleitoral e as estratégias de manipulação ao cenário de doping e antidoping no esporte, onde as técnicas de fraude frequentemente se antecipam aos mecanismos de fiscalização. Ele destaca que, assim como novas substâncias ilícitas desafiam os exames, novas formas de manipulação digital exigem constante aperfeiçoamento da resposta judicial.
Para o professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, a eficácia do TSE em conter a desinformação alimentada por IA dependerá diretamente da qualificação de seus quadros técnicos. Ele manifesta ceticismo quanto à capacidade da atual estrutura burocrática de lidar com o volume e a sofisticação da manipulação de atenção e intenções de voto que a inteligência artificial pode gerar, sublinhando a necessidade de investimentos em expertise tecnológica para enfrentar a complexidade do desafio.
As Prioridades da Gestão Nunes Marques no TSE
A assessoria do ministro Nunes Marques confirmou que o combate aos efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições é uma das três prioridades centrais de sua gestão à frente do TSE. Além disso, o ministro pretende promover um ambiente que privilegie o debate e garanta o direito de resposta a todos os envolvidos, buscando um diálogo contínuo com os tribunais regionais eleitorais (TREs) para alinhar as ações em todo o país. A meta, segundo Jonatas Moreth, é garantir que todo o sistema da Justiça Eleitoral atue em uníssono, com uma estratégia coesa e eficaz.
Essa busca por unidade será crucial para definir o modelo de atuação do TSE, que poderá ser mais intervencionista, como observado na gestão anterior do ministro Alexandre de Moraes, ou adotar uma abordagem mais liberal. Moreth expressa preocupação com a possibilidade de um debate mais livre se transformar em uma arena de ofensas e mentiras, enquanto Ianoni avalia que Nunes Marques tende a uma visão expandida de liberdade de expressão. No entanto, o cientista político ressalta que essa liberdade encontra limites legais claros, não podendo ser utilizada para disseminar mentiras, calúnias, difamação ou injúria.
A Fiscalização das Pesquisas Eleitorais em Pauta
Outro ponto de atenção para o professor Marcus Ianoni é a divulgação de pesquisas eleitorais. Ele enfatiza a necessidade de o TSE estar devidamente preparado para assegurar o cumprimento das regras aplicáveis e coibir a circulação de levantamentos clandestinos que possam confundir o eleitorado. Ianoni compara a situação à infração de trânsito: mesmo com a proibição de atravessar o sinal vermelho, a ausência de fiscalização efetiva pode levar ao descumprimento das normas, resultando em resultados fraudulentos não apenas passíveis de denúncia pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), mas de efetiva punição.
Embora a legislação exija o registro das pesquisas na Justiça Eleitoral, com informações detalhadas sobre estatístico responsável, amostra e metodologia, Jonatas Moreth aponta para uma lacuna na auditoria mais precisa e cuidadosa da realização desses levantamentos. Ele lamenta que, até o momento, não se tenha encontrado uma fórmula que concilie a autonomia das empresas de pesquisa com uma garantia maior de fiscalização e auditoria, deixando uma margem para potenciais manipulações que podem impactar diretamente a percepção pública e o comportamento eleitoral.
Diante dos desafios impostos pela inteligência artificial e pela complexidade das informações eleitorais, a Justiça Eleitoral brasileira enfrenta a necessidade premente de adaptar-se e inovar. A vigilância e a capacidade de resposta do TSE serão determinantes para salvaguardar a legitimidade do processo eleitoral, garantindo que a tecnologia seja uma ferramenta de transparência e não um vetor de desinformação.
