Moradores do bairro Cohab, em São Luís, estão em alerta devido a uma crescente infestação de caramujos africanos em um terreno baldio na Rua Nove. Os moluscos, cuja proliferação se tornou notável entre fevereiro e março, têm extrapolado os limites do lote, invadindo casas e quintais próximos e gerando apreensão sobre os impactos na qualidade de vida e na saúde pública da comunidade.

Avanço dos Moluscos e Desafios de Contenção

A situação é particularmente crítica durante a noite, quando os caramujos se aventuram para fora do terreno, escalando muros e adentrando residências vizinhas. A moradora Cinthya Aguiar, que é engenheira agrônoma, descreveu à TV Mirante a escala da invasão, sublinhando a preocupação com a facilidade com que esses animais se deslocam para áreas habitadas. A dimensão do matagal no terreno, onde os moluscos se reproduzem, é apontada como um fator que dificulta sobremaneira qualquer tentativa de controle.

Causas da Proliferação e Respostas Comunitárias

Além do matagal, o acúmulo de lixo e o descarte irregular de entulho por parte de moradores da região contribuem significativamente para agravar a infestação, criando um ambiente propício para a reprodução e abrigo dos caramujos. Diante do cenário, Cinthya Aguiar tomou a iniciativa de contatar a Vigilância Sanitária para solicitar uma intervenção. Embora uma equipe tenha sido enviada ao local, a extensão da área infestada apresenta um desafio considerável para um controle eficaz e duradouro.

Riscos à Saúde Pública e Histórico da Espécie Invasora

A presença do caramujo africano (Achatina fulica) não é apenas um incômodo, mas representa um sério risco à saúde. O infectologista Daniel Wagner esclarece que a espécie atua como hospedeiro intermediário de vermes que podem transmitir doenças a seres humanos. Em casos de contaminação, os sintomas podem variar desde dores de cabeça, febre e náuseas até quadros mais severos, como a redução do nível de consciência, exigindo atenção médica imediata.

A introdução deste molusco no Brasil data do final da década de 1980, quando foi trazido com a intenção de ser uma alternativa mais econômica ao escargot. Contudo, o projeto de criação não obteve sucesso, resultando no descarte indiscriminado dos animais na natureza. Sem predadores naturais e com alta capacidade reprodutiva, o caramujo africano tornou-se uma espécie invasora, proliferando-se rapidamente em diversos biomas brasileiros.

Aguardando Resposta do Poder Público

Enquanto a comunidade da Cohab busca soluções e lida com a invasão diária desses moluscos, a Prefeitura de São Luís, procurada pelo g1 para se manifestar sobre o caso, ainda não se pronunciou. A ausência de um posicionamento oficial e de medidas mais abrangentes gera uma expectativa crescente por uma intervenção que garanta a segurança e o bem-estar dos moradores afetados.

Fonte: https://g1.globo.com