Uma onda de mal-estar tem gerado preocupação entre a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. Cerca de trinta estudantes relataram ter passado mal com sintomas de intoxicação alimentar após consumir refeições no Restaurante Universitário (RU) da instituição. Os primeiros sinais surgiram na noite da última segunda-feira, levando vários alunos a buscar atendimento médico e reacendendo o debate sobre a qualidade e segurança alimentar oferecida no campus.

Sintomas e Impacto Direto na Saúde dos Estudantes

Os relatos dos estudantes são consistentes: dores abdominais intensas e diarreia foram os sintomas predominantes que levaram muitos a procurar unidades de saúde. A gravidade dos quadros variou, mas a necessidade de intervenção médica foi uma constante. A estudante Maria Clara, por exemplo, descreveu ter se sentido extremamente mal após comer no RU, precisando de atendimento na Santa Casa e enfrentando um período de cinco dias para recuperação. Outros casos similares foram registrados, incluindo o afastamento de uma aluna de suas atividades por dois dias devido a complicações digestivas resultantes da ingestão dos alimentos.

A Persistência das Queixas e a Insatisfação Discente

Apesar de a empresa terceirizada responsável pelo fornecimento das refeições supostamente coletar amostras para análise, a percepção dos alunos é que a qualidade da comida continua insatisfatória e os problemas de higiene são recorrentes. Nas redes sociais, a indignação se materializou em publicações de fotos que mostravam moscas nos pratos servidos, acompanhadas de descrições de sintomas como os já mencionados, confirmando a constante preocupação com a segurança alimentar. Muitos estudantes afirmam que incidentes como este não são isolados, ocorrendo com frequência ao longo do ano letivo.

Histórico de Ocorrências e Alerta Médico

Este não é o primeiro episódio que levanta alertas sobre a alimentação no RU da UFMA. Em fevereiro do ano anterior, veículos de comunicação já haviam noticiado a descoberta de larvas em pratos de feijoada e outros estudantes também manifestaram mal-estar após consumo. Em outra ocasião, a presença de um pombo no local de refeição foi registrada, evidenciando falhas nas condições sanitárias. Um médico gastroenterologista, ao analisar os sintomas comuns de intoxicação (vômito, diarreia, dor abdominal e mal-estar geral), alertou sobre a seriedade do quadro, que em casos graves, pode evoluir para convulsões decorrentes de desidratação severa e, em situações extremas, até perda auditiva e visual, exigindo exames laboratoriais e, por vezes, uso de antibióticos.

Posicionamento da UFMA e Medidas em Andamento

Diante da repercussão dos incidentes, a Universidade Federal do Maranhão divulgou um comunicado oficial. A instituição afirmou estar ciente dos relatos e assegurou que todas as unidades do Restaurante Universitário operam sob rigorosos protocolos de segurança alimentar e vigilância sanitária. Segundo a UFMA, não foi detectada qualquer contaminação que pudesse ser relacionada aos casos de mal-estar mencionados. A universidade reforçou seu compromisso em monitorar a situação de perto, priorizando a segurança alimentar e o bem-estar de toda a comunidade acadêmica.

A situação no Restaurante Universitário da UFMA, com a recente onda de intoxicação alimentar e o histórico de queixas, sublinha a urgência de uma investigação aprofundada. Enquanto a universidade garante o cumprimento de protocolos, a vivência dos estudantes aponta para uma realidade preocupante. A resolução deste impasse é crucial para restabelecer a confiança na segurança alimentar do campus e garantir a saúde e o bem-estar dos milhares de alunos que dependem do serviço.

Fonte: https://g1.globo.com