Anajatuba MA: história desde 1854, rio Mearim, agricultura familiar e apicultura crescendo em 2026. Conheça o potencial turístico e econômico dessa cidade pequena da Baixada Maranhense.

Quando comecei o Central Mearim, uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi como cidades pequenas como Anajatuba ficam fora do radar — mesmo estando tão perto de São Luís e tendo tanto a oferecer.

Anajatuba não é só mais um pontinho no mapa da Baixada Maranhense. É uma cidade com história de mais de 170 anos, gente acolhedora, rio Mearim cortando o município e um potencial econômico que está começando a ser descoberto agora, em 2026. Neste artigo eu quero contar um pouco dessa história, mostrar o que está acontecendo hoje e por que acredito que essa cidade merece muito mais atenção nos próximos anos.

A fundação e o nome que vem do tupi

Anajatuba foi emancipada em 22 de julho de 1854, mas sua história começa bem antes. O nome vem do tupi-guarani: “anajá” (palmeira típica da região) + “tuba” (muito, abundante) — ou seja, “lugar de muitos anajás”.

A cidade nasceu às margens do rio Mearim, que sempre foi a principal via de transporte e comércio no interior do Maranhão no século XIX. Naquela época, a economia girava em torno da pecuária, extração de madeira e agricultura de subsistência. Anajatuba era ponto de parada para quem descia ou subia o rio, levando produtos para São Luís ou trazendo mercadorias de volta.

O município cresceu devagar, mas com identidade forte: tradições de bumba-meu-boi, tambor de crioula, festas religiosas e uma ligação profunda com o rio. Mesmo hoje, quem visita sente essa essência ribeirinha — barcos, pesca, casas simples e gente que vive no ritmo da natureza.

A economia atual: mandioca, gado, pesca e o novo fôlego da apicultura

Em 2026, Anajatuba ainda é predominantemente rural. A economia depende de:

  • Agricultura familiar — mandioca, arroz, milho e feijão.
  • Pecuária — gado e búfalo (muito comum na Baixada).
  • Pesca — no rio Mearim e igarapés.
  • Apicultura — iniciativa recente da prefeitura (distribuição de sementes de marmeleiro) para produzir mel claro no primeiro semestre e complementar a safra do mangue no segundo.

O PIB municipal é modesto (cerca de R$ 180–200 milhões, segundo dados IBGE atualizados), mas o que impressiona é a resiliência. Mesmo com chuvas intensas como as de março 2026, os produtores se recuperam rápido. A apicultura, por exemplo, pode virar um divisor de águas: mel de marmeleiro tem valor agregado alto e pode ser vendido direto ou em feiras de São Luís.

O potencial turístico que ainda está escondido

Anajatuba fica a cerca de 150 km de São Luís, na rota da Baixada Maranhense — região que já é conhecida por mangues, rios e cultura ribeirinha. O turismo aqui ainda é tímido, mas tem tudo para crescer:

  • Passeios de barco pelo rio Mearim (pesca esportiva, observação de aves, banho em praias fluviais).
  • Visita a comunidades tradicionais e grupos de bumba-meu-boi.
  • Gastronomia local: peixe frito, arroz de cuxá, beiju, tapioca fresca.
  • Artesanato: peças em palha e buriti.

Com o período seco se aproximando (abril/maio), as condições ficam ideais para esses roteiros. Imagino Anajatuba como uma extensão natural do turismo dos Lençóis Maranhenses — quem vai para Barreirinhas pode fazer um desvio de 1–2 dias para conhecer a cidade e a Baixada de forma mais autêntica, sem multidão.

Os desafios reais que a cidade enfrenta

Não dá para falar só de potencial. Anajatuba tem problemas sérios:

  • Chuvas sazonais (março/abril) causam alagamentos e dificultam o acesso por estradas vicinais.
  • Pouca infraestrutura turística (hotéis simples, falta de sinalização).
  • Dependência da agricultura familiar, que sofre com preços baixos e falta de crédito acessível.
  • Evasão de jovens para São Luís e Imperatriz em busca de emprego.

Mas também tem avanços: a prefeitura (atual prefeito Hélder Aragão – MDB) tem investido em recuperação de estradas, cursos de apicultura e apoio à agricultura. Em 2026, com o crescimento econômico do estado, é possível que essas ações ganhem mais força.

Por que Anajatuba merece mais atenção em 2026

Porque ela representa o Maranhão que não aparece nas propagandas: o Maranhão do interior, do rio, da mandioca, do mel, do bumba-meu-boi e da luta diária.

Se o estado quer crescer de verdade, precisa olhar para essas cidades pequenas. Elas têm história, natureza, cultura e gente que trabalha duro. Com um pouco mais de investimento em infraestrutura, capacitação e divulgação, Anajatuba pode virar um ponto de parada obrigatório na rota da Baixada — gerando renda para famílias locais e mostrando ao Brasil que o Maranhão vai além dos Lençóis.

Eu, como alguém que acompanha o estado de longe mas com muito carinho, acredito que 2026 pode ser o ano em que cidades como Anajatuba começam a ser vistas com outros olhos.

E você?

Já foi a Anajatuba ou conhece alguém de lá? Qual o potencial que você vê nessa cidade ou em outras pequenas do Maranhão? Deixa nos comentários — quero ouvir histórias reais e quem sabe trazer mais cidades no próximo artigo.

Um abraço e até a próxima. Vamos valorizar o Maranhão de verdade.

Redação Central Mearim Escrito por Rodrigo Fernandes.